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Romeo&Julieta

Romeo&Julieta

Um pássaro no céu não olha as estrelas

Sou uma doce inocência. Daquelas que passados 19 anos o coração já levou muita pancada mas, a inocência é tão grande que se têm mantido forte e doce. Porém, é um coração que nunca foi conquistado porque é um coração que não acredita. De algum modo, não acredita que o seu rumo natural da vida possa decorrer com a mesma importância quando aparecem situações fantásticas, pessoas fantásticas. Por alguma razão, a inocência do meu coração sente-se ansioso e não acredita que o mundo é cor-de-rosa quando se trata de manter tudo como genuinamente é, não acredita que não se tenha que partir logo para o universo mágico movido por soldados imaginários que constroem pontes, que destroem realidade e a põem a jeito para o golpe de sorte atuar. A questão é que não é um golpe de sorte. Parece que tu própria achas que o teu rumo de vida não está a jeito de golpes de sorte, de pessoas que estabeleçam alguma coisa contigo. Era demasiado arrepiante nalguém que pudesse de facto aceitar esta liberdade, esta tendência de pássaro voador, as bochechas coradas, a distância. Ah, a puta da distância. Tal é puta que nunca foi esse o problema. Tu sabes que não. É arrepiante poder pensar que existem, ou melhor que tu tens a força, ou que queres ter a força para continuar a mover os lábios sussurrando que queres algo verdadeiro. Que queres algo maturo, tão surrealmente maturo que espere e respeite cada processo. Tu não gostas da rotina, tu odeias chegar ao fim do dia e não fugir para uma rua desconhecida, tu odeias ver as pessoas a mostrar-se mais do que uma vez à frente de uma plateia sem uma epifania inovadora. Tu odeias essas sensações monótonas do dia-a-dia que te fazem sentir cansada antes de agir. Se tu odeias tudo isso, por que é que concebes sequer um amor rotineiro e convencional? Será que é inocente demais? Será que é íntimo demais? Será que não aguento o arrepio? Arrepio de pensar que isso não existe, que é pedir demais. E que seja pedir de mais. Quando algo espetacular se começa a aproximar tu deixas de querer acreditar que possa ser ainda mais espetacular porque já o é. Ou deixas de pôr o teto de espetacular onde está e deixas de sonhar por aquilo que sonhas quando não tens nada a perder. E quando tens algo? Continuas a pedir para ti própria como se não tivesses nada, ou pões-te emocionalmente gananciosa, fútil, materialista com a nossa espetacularidade que se anda ali a passar. Achas tu que eles são burros? Que são pouco sonhadores e não são fortes para aguentar uma assíntota relacional? Julga-los tu que eles pré-concebem a vida e portanto tu desces ao nível do estereotipo de sonhador de meia leca. Aquele cujo sofá e os filmes chegam, que não acrescenta uma conversa de horas em que se esquece de comer, de respirar, de mexer os músculos. Aqueles sonhadores que querem ter a casa perto do trabalho e o homem ou mulher perto da vida, que os perceba em tudo o que é diário e não os olhe para todos os lados. És uma julgadora nata quando se trata de reduzi-los a não sonharem tão alto como tu. Ou será que tu te achas demasiado livre para seres aceite por alguém? Achas que o rumo natural da tua vida é uma gota de água viajante que tem que ser desviada para um rio para que tenha corrente? E se um dia ele se virar para ti e disser que quer exatamente isso. Ele nunca se virará. Nunca se virará enquanto tu não te virares para ti mesma e acreditares por um segundo que existe pelo menos uma pessoa no mundo que seria insano o suficiente para conceber isso, para as suas necessidades serem preenchidas por isto, pelo meu rumo natural. Seria arrepiante. Arrepiante demais. E se ele um dia se virar para ti com toda a consciência. Essa consciência que sempre rejeitaste esperar porque tens medo que não exista na cabeça de alguém. Diminuis o sonho porque não acreditas em sonhadores. Diminuis as esperanças porque não vês, cegando-te a ti própria, a possibilidade de poder voar em conjunto. De voar como dois pássaros voam e a vida sem coincidir tem um fio condutor comum. É demais. É demasiado para aqueles que saem do trabalho e vão diretos para casa, que não se emocionam todos os dias com a alma que paira nas coisas. Sem voz, os meus lábios movem-se humildemente dizendo que quer um sonhador de asas abertas, que queria voar comigo, não na mesma direção e sentido mas no mesmo céu, o nosso céu, que tenha a mente tão aberta e as necessidades tão possíveis de ser preenchidas por mim que aceite a força de uma ligação, a força do desencontro, do desnorte, a força da união e das mãos dadas. Um coração ingénuo, uma mente sonhadora, uma voz que fale por eles ao mundo. Os ouvidos certos que ouçam, os olhos sensíveis que leiam, a mente livre que se una.

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